Solsticios e Equinócios e a busca pela roda Sumeriana !!!

Pessoas do meu Brasil (e de outras terras também),

Minhas saudações!!!

Hoje eu estou aqui pra falar da roda do Ano Sumeriano . Ok, eu sei que todo mundo fala em roda do ano e Tals, mas ... eu vou falar da maneira em que se fez claro pra mim. Eu acho superficial a forma como explicam essa parada por aí, e aí que a maioria das pessoas nunca consegue visualizar corretamente, até que se proponha a “pensar fora da caixinha” e por as mãos na massa!!!
Demoraram quase 3 anos, pra que eu conseguisse reconstituir a roda do ano Sumeriano. Claro que eu sabia que tinha TUDO a ver com o ciclo da cevada, mas não conseguia compreender e fiquei por bastante tempo dando murro em pontas de faca tentando reconstituí-la até que graças á uma inspiração dada por um gráfico que meu digníssimo marido fez quando discutíamos a roda do ano do clã dele, algo me deixou com a pulga atrás da orelha. Aí um tempo depois (3 dias), algo ficou na minha cabeça, fui em busca das duvidas que deixavam o meu ser inquieto e finalmente consegui fechar os principais festivais.

Uffa!!!

Mas não foi assim de prima não. Foi bem “sem querer” por puro sopro divino,  que eu juntei as peças, e finalmente consegui compreender. E ah, quando tudo se fez claro eu quase gritei: - EUREKA – DESCOBRI A PÓLVORA!!!!!


Eu sei que conhecimento, é uma coisa difícil de se passar, mas não é por que eu demorei 3 anos pra compreender, que eu não vá compartilhar. Vou sim, acho justo, eu me propus á isso desde que comecei a estudar sobre Suméria, e  por isso, de um jeito meio tosco eu desenhei o gráfico pra que vcs consigam entender. E vamos à ele:





Aí, você olhou esse monte de curva e disse: “Daphne  – EU NÃO ENTENDI NADA!!! Faltei a aula de gráficos na escola e não sei nem “pronde” isso vai.”
Calmaaaaaaaaaaaaaa. Eu traduzo!

O Gráfico acima, mostra o ciclo de iluminação do sol pelas estações. Notem que o gradiente da figura, ilustra a incidência do sol.

Concordam comigo que este gráfico, na verdade, nos mostra um circulo? (Não to vendo coisa nenhuma Daphne ) Como assim? Não viram? Vou tentar juntar pra vocês verem:




Ficou mais claro agora??? (ai Inanna – como eu estou bandida Didática!!)
Enfim, Vamos navegar neste gráfico (no gráfico gente, não na maionese – please!!!) pra ver se todos aqui entendemos como as estações se processam. 

Nos extremos máximos do deslocamento do Sol, notamos OS SOLSTICIOS -Verão e inverno ( Solstício [Do latim: solstitiu = Sol Parado]) é o ponto que o sol inverte seu sentido de deslocamento e assim precisa “parar” para retornar. Como são opostos, notamos a plena incidência de luz e por tanto calor e no inverno menor incidência de luz – right?

Dentro do culto sumério, os Solstícios de inverno e verão nos contam sobre o mito "a Disputa de Emesh e Enten" (alguns dizem ser parecido com o de caim e Abel, só que termina em reconciliação)  os irmãos Inverno e verão. Um senhor da domesticação de animais como o bode, a ovelha, a vaca e o boi, o outro aclamado por ser o senhor das sementes, o Deus das terras férteis.

Os Equinócios são marcados pela mesma incidência de luz, (Equinócio [Do latim: aequinoctiu = noite igual; aequale = igual + nocte = noite]: conforme vemos no gráfico, ele corresponde ao ponto médio do intervalo de deslocamento, instante no qual o intervalo de duração do período de claridade se iguala ao de escuridão. 





Entretanto, podemos dizer que são igualmente opostos pois a primavera avança em direção à parte superior do gráfico, mostrando a medida em que se aproxima do verão, um aumento da incidência de luz e por conseguinte de temperatura, enquanto o outono faz o curso inverso, avançando em relação ao inverno. (ok Shinnar – mas até aí vc não contou novidade NENHUMA).

Para os sumérios, ambos os Equinócios eram de suma importância para o cultivo da cevada, Assim nomearam-se os festivais de equinócio derivando da palavra Akiti – do sumério, Cevada. marcando assim os festivais que celebram o inicio de cada um dos meio-ano da roda.

Á primavera, chamou-se “Akiti-Shekinku”, ou “O corte da cevada”, o que nos mostra que a Colheita da cevada era processada na primavera, e talvez nos explique o por que de se tratar da comemoração do  Ano novo, uma vez que esse era o ponto final e também o inicio do ciclo da cevada. Seguia-se á colheita muitos festejos em agradecimento aos Deuses pela fartura.. No verão, a estação seguinte, os sumérios faziam a escolha dos grãos que seriam plantados no próximo Outono.

No outono, conhecido como Akiti-Shununum, os sumérios faziam a semeadura da cevada, que iria amadurecer durante o inverno e finalmente poder ser colhida durante a proxima primavera dando inicio á um novo ciclo.


Ngm deve ter entendido, até agora a minha duvida que me deixou parada durante 3 anos né? enfim, é que eu não tinha conseguido descobrir nada sobre o outono. eu sempre ficava achando que a colheita era no outono e eu estava ENGANADA!!! foi só quando eu entendi de fato que a mesma quantidade de luz que se havia na primavera, acontecia no outono e que os sumérios usavam praticamente o mesmo nome pra primavera e outono que eu destrinchei tudo e foi como se uma luz tivesse penetrado a minha mente!!! ok ok  é obvio que outono e primavera tem a mesma quantidade de luz e isso nós todos sabemos desde o inicio dos tempos, mas foi associar os dois equinócios como iguais e verificar o que significava Akiti de fato é que eu pude juntar lé com cré e entender tudo. Era tãooooooooo simples!!! Como eu não vi antes???


Isso mostra uma coisa: quando estamos em busca de uma informação, é melhor ir com calma pra não atrasar no meio de tantos dados!!!a gente fica com tanto pré-conceito, que a informação se esfrega na cara e a gente voa!!! aff!!


 Assim podemos ver a roda completa como segue na figura á seguir:



 


Ok, gente eu sei que é um pouco diferente do conceito de roda que se vê por aí. é que as religiões pagãs mais conhecidas como o odinismo, o druidismo (que influenciou muito a wicca que se pratica hoje em dia aqui no Brasil), vieram de lugares frios, onde o inverno é o grande vilão. Mas no caso da Suméria, mesmo estando situada no emisfério norte (Atual Iraque), o clima é quente e por estarem cercados de pouca vegetação, e desertos, o verão as vezes pode castigar mais que qualquer coisa.


Vale dizer também, que a roda que eu descrevi neste post, está sincronizada com os ciclos de plantio e colheita da cevada aqui no Brasil, o que de qualquer maneira a faz válida  pro meu culto.



Enfim genter
Então é isso gente, espero que tenham gostado, espero que tenha dado pra entender, mas qualquer duvida é só comentar aí em baixo e a gente vai tentando elucidar. bjo!!!
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Pelo poder do Céu e pela Terra...


Era assim que muitos  encantamentos sumérios eram selados - Citando os magníficos criadores , os Sumérios expressavam desejos, promessas e selavam sua propria palavra, fonte de sua magia.

Mas para entendermos este pensamento, primeiro precisamos saber quem eram afinal AN e KI, os Deuses que literalmente eram o poder criativo representados pelos elementos Céu e Terra.

Falemos de Anu, o senhor dos Céus. Aquele que é a propria abóbada celeste, a força masculina que deu força e vida a tudo o que a terra concebeu. Anu, que porta em si mesmo as constelações, o grandioso Deus ancestral. A força masculina limítrofe, que sustem as aguas superiores, o fundador da dinastia divina.

Anu, fonte das chuvas, a base do calendário uma vez que por ele passam as constelações anunciando a mudança das estações e seus diferentes trabalhos e comemorações .

Segue abaixo um poema datado do segundo milenio A.C, em honra á Anu. A primeira e a ultima parte foram perdidas, mas dá pra ter idéia da magnitude do culto de Anu:

... És aquele a quem pertence a insígnia real
Principe dos Deuses
Sua palavra é cheia de autoridade no conselho dos grandes Senhores!

Oh Senhor da coroa brilhante
Dotado de sua maravilhosa luminosidade
Tu montas os grandes ciclones
Estando como um principe nos nobres dias reais

Os Deuses celestiais ouvem às suas soberanas palavras,
E todos os Deuses infernais Aproximam-se de ti tremendo!
Ao som da sua voz todos os Deuses se curvam, como os caniços durante a Tempestade!

Se suas palavras levam qualquer coisa, como o vento,
Também trazem locais de pastagem e fazem olhos d'agua  transbordarem
Ao som da sua voz, mesmo em ira, os Deuses retornam para suas casas
Possam os Deuses aproximarem-se de ti, do céu e da Terra com seus presentes e oferendas
Possam todos os reis trazer-te grandes tributos
Possa toda a gente, estar diariamente diante de ti, 
Oferecer-te suas oblações, sua adoração, suas orações...


Agora,  falemos sobre aquela que conquistou o coração de Anu, em quem O poderoso principe dos Deuses, primeiro chefe do panteão engrendou os caniços, as arvores e toda a sorte de vegetação. em um encantamento acádio antigo, se refere a este fato  quando diz: "Quando o céu impregnou a Terra toda a vegetação tornou-se plena".

Ki, a propria terra, é parte do céu, nascida junto dele, detentora igualmente de toda a sua magnitude.dela os homens foram feitos, e pra ela retornam reciclando assim cada centelha de vida que se origina dela.

Ela é a Deusa em cujo corpo toda a vegetação cresce, fecundada pela chuva "espermal" de Anu, e onde toda a vida se faz.

É meus caros, foi o amor de Anu e Ki, seu orgasmo cosmico, que deu vida a tudo que há, e por isso mesmo, reconhecendo o poder desta união os sumérios em nome deste amor selavam sua palavra, sua magia, e faziam mais concreto o peso de suas palavras.

É isso aí, espero que tenham gostado de mais este artigo e deixem sugestões de novas coisas pra gente debater aqui, ok?
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Desabafo


Não espero ser compreendida com o que vou dizer agora. Essa não é a posição da Daphne Sacerdotisa, muito menhos da pesquisadora. é a o que sente a PESSOA da Daphne. É sobre a adoradora, é sobre o que a minha alma fala.

Sim meus caros, embaixo da couraça que (pareço) ter existe de fato um coração. Um eu que tem vontades, sonhos, desejos,anseios...medos, defeitos, vaidades.

Quando eu Criei o Dragão Sumeriano, em 2009, eu o fiz para que as pessoas tivessem acesso á informações que pra mim foram muito suadas. Eu queria que os demais não tivessem que chorar as lágrimas que chorei caso escolhessem adorar aos Deuses que me chamaram, que outros pesquisadores pudessem também ver por outro prisma, as implicações religiosas deste povo e como esssas tiveram influência em sua cultura e em todo o legado que deixaram. Eu queria fazer menos arduo o caminho de alguns.


Acontece que eu percebi que muita gente usa o que eu ensino de formas erradas. Não lê direito o que eu escrevo, sei lá o que acontece e isso meio que me deixa triste. Tem gente que copia meus textos e se quer me dá os créditos. Poemas, orações e até pesquisas são reproiduzidos por aí e... a autoria?? Gente que sai fazendo feitiço a torto e a direito, nem se importa em honrar aos Deuses, só chama e pronto. acha que os Deuses têm obrigação de atender mediante a uma misera migalha de pão e vinho. ONDE ESTÁ O SAGRADO?

Isso não é uma questão de vaidade. Eu não preciso disso, faço desse espaço aqui, um cantinho meu com meus Deuses. Não me importa se ngm lê, se ngm se interessa. Também não importaria se fosse o blog mais acessado. Tanto faz . Isso não muda nada na minha realidade. Eu não quero ser aplaudida. QUERO QUE MEUS DEUSES SEJAM! Acho que sempre deixei claro que o grande sonho da minha vida é que meus Deuses sejam novamente aplaudidos e adorados.

De verdade não me impoorta se as pessoas vão ler isso aqui, se vão se apaixonar por esses Deuses assim como eu. Eu não sou melhor que ninguém, só estudei um pouquinho mais sobre o assunto, material que está disponivel em livros, todos citados aí ao lado, aqui mesmo no blog. Todo mundo tem, se quiser, acesso a tudo o que eu sei. basta se dispor a comprar os livros, ler e estudar. ME IMPORTA APENAS  QUE QUEM O FIZER FAÇA DE CORAÇÃO, DE ALMA ENTREGUE, PROCURANDO SE APROFUNDAR. Que quem quisaer adorá-los os trate com o respeito, e com o amor que merecem, e não o tratem como "pokedeuses". Reverência é importante sim. eles são Deuses merecem ser respeitados como tal.

Meus textos não reproduzem a verdade do mundo. Apenas o que eu aprendi com meus Deuses...Coisas que eu quis compartilhar o com tempo e o vento, e com quem quiser olhar.Não pra ser usado como uma oportunidade de gente sem muito o que fazer de se promover ou de usar (achar que usa) os Deuses da forma que bem lhes parece.

Aos Deuses não se usa. Aos Deuses não se manda. acho que as pessoas tem que parar de tratar os Deuses como escravos, jagunços,erês, e sei lá mais o que.

Ninguém deve ter entendido nada, mas é isso: é o que eu queria dizer.
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De volta á atividade!!





Passadas as correrias com o Congresso de Wicca e Paganismo do qual eu participei palestrando sobre (adivinhem!) Deuses Sumérios, eu estou de volta ao Blog...


É eu sei, andei meio afastada daqui, mas como vcs sabem a vida de sacerdote é uma coisa meio difícil mesmo e com tantas coisas á resolver eu acabei completamente sem tempo.

Vocês devem estar estranhando que eu fale de compromissos sacerdotais por aqui, já que eu meio que evito isso NESTE blog, entretanto achei que as pessoas que seguem o blog ou que o lêem esporadicamente mereciam uma explicação sobre o meu sumiço heheheheh.

Mas tudo bem, vcs daqui da net não tem nada a ver com isso, e querem mesmo é informação (não é?), então eu sou boazinha e estou disponibilizando abaixo o link para que possam baixar os slides da palestra. Não tem muita coisa escrita, mas tem uma seleção de imagens BEM interessantes e vai dar pra vcs terem um gostinho do que foi a palestra desse ano.

Quem sabe, se vcs se manifestarem eu não posso escrever um resumo sobre a palestra, ou mesmo fazer um vídeo?são idéias.. vou pensar nisso!

Abaixo deste post tem também um novíssimo artigo sobre Inanna. Sinta-se á vontade para explorá-lo tbm, se quiserem rs

Beijos e carinho

Daphne Shinnar


Baixem os slides aqui: http://www.4shared.com/file/K6yzQSge/Sumria_final_version.html







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Inanna - A Fertilidade da Terra



E hoje vamos falar de mais um aspecto de Inanna, Para tanto falemos do nascimento da Deusa. Assim fica mais fácil entender.

Inanna é chamada por muitos de Senhora da Tamareira. um dos seus mais proeminentes simbolos (largamente chamados de portais de Inanna - gates of Inanna) é encontrado nas portas de silos e warehouses (depósitos) mas... por que será? Nunca se perguntaram por que Inanna é a Deusa do amor?

Ora.. isso vem de uma longa história. Vamos á ela!

A cosmogonia suméria nos conta que Inanna é filha de um casal muito particular: Ela é filha do Deus lua, soberano dos céus, com a Deusa Ningal, Deusa da vegetação, Personificando assim assim uma união entre os céus e a Terra. Mais do que uma união, este configura o segundo casamento sagrado de que se tem notícia na religião suméria (o primeiro ocorreu entre o céu - Anu,  e a Terra - Ki) a mostra de que a energia sexual era fonte do poder criativo dos Deuses. Essa união (entre Nanna e Ningal), teve como frutos dois Deuses importantes: Inanna (primogênita) e Shamash seu irmão gêmeo.

Sabemos que a lua tem grande influência na vegetação, e daí Inanna nos aparece como Deusa da FERTILIDADE: Fertilidade dos solos, dos apriscos e currais, das plantações e das áreas alagadas, enfim ela rege a fertilidade em todos estes domínios(o que não significa dizer que ela seja Deusa desses dominios, notem que ela apenas é a Fertilidade). mais uma vez esbarramos com a maxima da relação energia sexual x energia geradora.

Vamos pensar juntos:Nessa analogia de Inanna ser filha de Nanna, o Deus Lua, e de Ningal , uma Deusa da vegetação e da Terra, vemos tão somente um resultado: dominio e conquista da lua sobre a terra, O Deus Lua como ser FECUNDADOR, e a terra respondendo como ser GERADOR. Inanna se torna Deusa do sexo(amor sexual).

Oque podemos tirar disso? que fertilidade PROS SUMÉRIOS, é igual a energia sexual. e é exatamente por isso que existem templos de amor dedicados á Inanna - Pra manter a terra fértil! pra fazer o Deus Nanna querer se unir mais e mais á Terra, fecundá-la e produzir frutos, pra faze-lo encher as marés e assim irrigar as Terras de plantio... tudo isso é um grande namoro!

Inanna por tanto é a propria união do sexo. ela é a voracidade do amor (corporal) total. Neste contexto pode ser definida como o orgasmo ou ainda como exato momento em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide. Ela traz consigo a união dos poderes regidos pelos proprios pais (a Lua e a Terra), interagindo através de ambos, e em ambos, atuando em cada mulher e homem conforme o senhor lua se manifesta no céu, preparando a terra que se torna fértil e dá frutos graças á união dos gametas masculino e femininos que dão origem ás sementes e que faz possivel que as arvores se reproduzam.

E é por tudo isso que Inanna é chamada de Deusa do amor (da atração sexual) e da Fertilidade. Por que ela simplesmente a propria força que gera a vida!
Espero que tenham gostado...

Volto em breve com mais...

PS: ainda querem artigos sobre Inanna, ou querem que eu coloque uma nova enquete pra falar sobre outros Deuses? alguma dica?
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Inanna - Terror, Medo, e Glória



Espero não tê-los chocado com o título rsrs
Faz tempo que eu queria fazer algo assim, mas devido á debates recentes em listas, e o meu desejo de desmitificar a crença (quase) geral na imagem de "boazinha" que Inanna (não) tem, eu resolvi escrever este post de uma vez por todas (rs).
 Enfim,
Vamos falar de Inanna!

O lugar onde o mito de Inanna floresceu, chama-se Suméria. Uma terra que se situava na parte sul da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates.(hoje atual Iraque). Inanna era "padroeira" da cidade de Uruk que faz limites com o rio Eufrates .É aí que ela aparece como senhora da Guerra, como padroeira da cidade, e portanto mantenedora da ordem, ela precisava garantir a segurança e o bem-estar do povo.
Os Sumérios viam o templo como a presença do próprio Deus em sua cidade, assim o templo de Inanna em Uruk significava para aqueles cidadãos muito mais que um lugar de adoração, mas a firme certeza de que a grande senhora habitava junto deles, e como cidadã de Uruk iria manter as terras férteis, seguras e prósperas!
Particularmente eu diria que Inanna é assim com tudo o que tem: mexeu com os seus, e ela se transforma numa arma de guerra poderosa. Nas palavras dela própria (nos poemas antigos) "(...)Eu sou o braço do guerreiro, a flecha que transpassa o inimigo(...)". É uma guerra apaixonada, por que diz respeito á conquista, á defesa de seu povo, e á gloria de seu próprio nome!
Ainda em um poema antigo, diz-se de Inanna:

" (Vós) ...Que estais coberta com o seu sangue,
Que rondais tempestuosamente as grandes batalhas,
Que pisais os escudos,
Que provocais a chuva-enchente,
Grande rainha Inanna experiente em planear o ataque"

Ainda como Deusa da guerra ela é comparada ao trovão. Os poemas antigos dizem que sua voz é ouvida em toda a terra e que ela faz a terra tremer. chamam-na terrível, até mesmo sua sacerdotisa Enheduana no templo de Ur, diz nos versos:
"Escarnecer, insultar, ridicularizar, profanar - e venerar - Eis o teu domínio Inanna
Desanimo, calamidade, dor - Alegria e bom animo - Eis o teu domínio Inanna
Tremor, medo, terror - Deslumbramento e Glória - Eis o teu domínio Inanna"
(livre tradução minha)
Inanna é chamada pelos Suimérios de Nin-me-sara a o que significa "senhora de uma miríade de ofícios. Não por que ela domine todas as coisas, mas por que está disposta a tudo para conhecer mais, atingir novos graus,conquistar novos espaços e, é APENAS por isso que ela vai ao submundo. não para encontrar um modelo "do ser", mas para achar um modelo "DO TER", ela arma toda uma estratégia para conquistar o submundo. Ora ela já é dona do Céu e da Terra?!, já é a Hieródula dos Deuses?!, já tivera conquistado toda a nação?!. a Unica coisa que ela não tinha era... O SUBMUNDO.
Já vi muita gente dizer que Inanna é Inocente e Imatura,ora nenhum desses atributos pode ser dirigido á Inanna. Imaginem vocês, como é que se pode chamar alguem que enganou o Deus da SABEDORIA, o senhor das águas, deu-lhe um porre, e tomou dele os ME, de Inocente? Como se pode dizer que alguém que engenha um plano pra sair viva da "terra-de-onde-não-se-pode-retornar" de Imatura?
 Outra coisa que me choca é a célebre frase "Inanna vai ao submundo encontrar-se com seu Eu". sempre que ouço isso fico uma fera (imaginem ela)!! Vou novamente parafrasear Enheduanna em um de seus poemas quando diz:

"Majestosa rainha do eu assombrado, envolta em medo,
 Que cavalga o grande eu, Inanna,  (...)"

Visualizem alguém que CAVALGA o seu próprio eu. analisemos:

1) "Majestosa rainha do eu assombrado, envolta em medo..." - Imaginem uma mulher que possa ser chamada de majestosa. Essa, por certo, está cheia de autoridade (majestade = reino =autoridade), certo? Lembremo-nos que esta é uma visão de uma terceira pessoa, alguém que assiste o seu cavalgar. Agora observem o restante da frase: “eu assombrado, envolta em medo” como alguém inspiraria assim tanto assombro se não fosse mais que senhora de si, senhora da guerra?Notem que esta é a visão de uma sacerdotisa.Alguém que convivia com a propria Deusa diáriamente, ouvia os relatos de outros sacerdotes, de cidadãos comuns, de viajantes. o que teria Inanna que inspirasse assim tanto temor? O dominio do EU que os demais não podem dominar?
2) um EU que mereça ser cavalgado deve ser no mínimo gigantesco.
3) Cavalgar o próprio Eu significa domínio próprio, pleno conhecimento de suas virtudes e falhas, e mais do que isso, DIRECIONAMENTO deste eu.

ainda sobre o "gênio dificil" de Inanna diz-se em um outro poema antigo :
"Como um leão Vós rugistes no céu e na terra, despedaçastes a carne das pessoas,
Como um grande touro selvagem anseais a batalha contra as terras inimigas,
Como um leão assombroso aniquilastes com o Vosso veneno os hostis e desobedientes"

Enfim , Inanna não é uma Deusa fácil de lidar.não é nada boazinha.rsrs (talvez por isso eu seja apaixonada por ela!hahaahah)
Espero que tenham curtido. Nos vemos no proximo!!!


bjos




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Inanna - Adorando a Grandiosa Rainha!



 Por Daphne Shinnar


Ela é a grande rainha dos céus e da Terra. Amada dos Deuses, aclamada no ar e na terra, ela desfila pelos céus em sua poderosa carruagem guiada por 7 leões alados.Não poderia ser nada menos que isso, afinal ela é a grande Inanna.


A si mesma ela proclama como Deusa do amor e da guerra, sendo esta ultima chamada " a dança de Inanna". Não se tratam de batalhas apenas pelo amor á guerra, trata-se do amor á conquista, ao poder, á habilidade de ser senhora de si mesma, da necessidade em ser a rainha das rainhas. Aquela que garante aos seus mais e mais conquistas.O baluarte do seu povo.


Há na sua voz ternura, austeridade e uma determinação quase sedutora. Ela não costuma bradar quando quer algo, simplesmente sorri, desdenha e seduz. (Quem poderia resisti-la?) Sua voz tem o tom de uma ousadia quase prepotente; a gargalhada sonora e poderosa, o gozo em tudo o que faz e o brilho nos olhos que é só dela, afinal ela é a estrela do amanhecer e do entardecer.


Eloqüente, Inanna usa de sua habilidade com as palavras e estratégia para conseguir o que quer, e é desta forma que consegue que Enki lhe entregue os ME´s, os dons sagrados. Nada disso, entretanto a torna mimada, ou sucetível. Ela faz por merecer cada vitória, sujeitando-se a despir-se para entrar no submundo e conquistar além do que o mundo superior pode dar: Ela anseia por mais dominios, pelo conecimento de antigos mistérios, pelo poder de conhecer a experiência da morte e sair dela ilesa, aprendendo a reconhecer o poder e o valor de um sacrificio real.


Não se importa em desfazer-se no caminho de seus tesouros pessoais, despir-se de sua magestade, sujeitar-se a aparecer nua e agachada diante de Ereshkigal. Para ela, o que são mascaras? Apenas brinquedinhos que ela pode reconstruir quando quiser. O que importa não é o meio externo, é a profunda transformação que é capaz de conduzir, arriscando até mesmo a própria vida em busca de seu objetivo, mas não sem suas garantias, não sem arquitetar o plano perfeito para que saia vitoriosa.


Se furiosa, torna-se o raio, o trovão, a chuva pesada, seu brado pode ser ouvido por toda a nação, e a terra estremece ao som dos seus trovões. Eles são o anuncio da sua ira. A grande leoa ruge nos céus, faz a terra conhecer o seu furor, a rainha das batalhas, amendronta o inimigo com seu rugido feroz.


A grande rainha do céu não é senhora de duas palavras; aquilo que promete cumpre e não gosta que duvidem do que diz. Costuma afirmar suas decisões a cada novo passo e não volta atrás. Possui uma visão de horizonte muito ampla e costuma prever com antecedência os passos dos demais, rindo-se deles quando fazem exatamente o que achava que iriam fazer.


Para Adorar Inanna é preciso dirigir-se á ela com majestade e firmeza. Ela gosta de ser presenteada com regularidade, e toma sua sacerdotisa para si como sua personificação onde estiver. É comum senti-la na pele nas mais diversas circunstancias.


É uma Deusa exigente, gosta de seriedade no sacerdócio, mas exige sutileza, doçura e sensualidade em seu culto. Uma adoração quase poética, que não se resume apenas na prática ritual mas sai com a sacerdotisa vida á fora.que muda a visão de mundo, o modo de andar, o modo de agir pois afinal, a representante de uma rainha tal qual a mesma, deve ter uma espécie de autoridade velada na voz.


Gosta que aquelas que andam junto á ela estudem, e saibam falar dos mais diversos assuntos, pois haveria outra Deusa mais inteligente ou mais poderosa que ela? Para Inanna o real poder reside nas palavras e na habilidade de se utilizar delas para conseguir o que se quer. e nesse âmbito a cada novo avanço é um passo pra mais perto da Deusa, afinal para aceitar alguém como sacerdotisa, ela precisa também nutrir admiração pela pessoa. Como se isso fosse um espelho dela própria. do esplendor e glória que ela empresta á tudo o que faz.


Não gosta que sua sacerdotisa seja subjugada, ou faça qualquer coisa sem prazer. tudo o que faz deve ter a marca de Inanna e o grande brilho da estrela. Aquela que se dedica á ela deve ser vaidosa, gostar de enfeitar-se para a própria Deusa, colocar-se cheirosa, sair por aí como se fosse á caça, mesmo que sem este propósito. o ímpeto de conquista é grande demais, e ela devora com os olhos.


Assim sendo, Inanna nos impulsiona á liberdade, o amor por ser mulher e o conhecimento das virtudes do feminino, do entendimento da magestade merecida, da vitória conquistada, da guerra vencida. Adorá-la é uma experiência constante de aprendizado e transmutação. Ela é o vento capaz de tudo mudar, que entra em nossas vidas imprimindo ação e movimento. Quem se lança em seus mistérios acaba por redescobrir-se, reinventar-se.O grande Falcão, a poderosa chuva, o braço do guerreiro na batalha, Inanna é a fonte de energia que transmuta medos e situações.e nada em seu caminho fica como antes.é como o furação que muda tudo o que toca por onde passa.









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E a vencedora éeeeeee: Inanna!

Imagens de fragmentos de idolos dedicados á Inanna - Acervo do Oriental Institute- University of Chicago


Não sei por que não me surpreendo rsrs..

Fizemos durante dois meses uma enquete aqui no Blog para escolher um Deus, ou Deusa do panteão sumério, para que eu pudesse escrever uma serie de artigos sobre.

Como eu também gosto de alguns poemas eu devo postar um ou outro por aqui. Espero que gostem!!!

enfim vejam á seguir nos proximos posts, um pouquinho do que se pode dizer sobre Inanna!


bjos!
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Novo Dragão Sumeriano - Mais do que nunca, um lugar no coração dos Deuses!!!

  Versão antiga do Blog


Com o intuito de "servir" melhor aos Deuses antigos e de fazer melhor a vida de quem pesquisa sobre mitologia da Mesopotâmia, Suméria e Acádia, em meados de 2009 nasceu de minhas mãozinhas o Dragão sumeriano.Dava-se inicio ao meu grande projeto de vida: Fazer com que meus Deuses fossem uma vez mais Aplaudidos!

Foram várias postagens que, diferente de tudo o que se encontra pela net, e em várias publicações, davam uma visão mais "pessoal" e mais proxima dos Deuses que por tanto tempo ficaram na penumbra. A intenção era fazer com que as pessoas pudessem ver com mais simplicidade - e não menos brilho, os antigos mitos, os epítetos e a personalidade dessas deidades.Além de mostrar para o público em geral que, quando se trata de antiguidade, não apenas estamos nos referindo á Grácia, Roma e Egito.Houve vida inteligente e organizada em todo o Crescente fértil, material humano que nos dá ainda mais possibilidade de entendermos como um todo os primeiros passos do homem em direção á civilização.
Neste quase um ano de existencia, muita coisa rolou por aqui e eu dividi com vocês um pouco dos meus conhecimentos,das minhas pesquisas e da quilo que me faz mais vívida. A pagina tinha um template improvisado (não que este agora não seja) mas ainda não tinha a cara que eu queria dar, assim como não traduzia de fato a alma deste blog.

Passei um bom tempo procurando algo que realmente fosse merecer o conteúdo do Dragão Sumeriano, experimentei e trabalhei muito até que consegui formatar este novo modelo. Espero que goste, assim como eu!

Que este seja um refúgio pra todos nós.Que aqui possamos trocar figurinhas, bater papo, e explorar melhor o potencial historio/mitológico que a "terra entre dois rios" nos pode Oferecer.Que neste espaço possam habitar os Deuses antigos, seus mitos, seu povo ...

Enfim é isso, deixem comentários, opiniões , sugestões.Façam daqui um lugar entre nós, no coração dos Deuses!
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Enlil e Ninlil


ainda em clima de DIA DOS NAMORADOS, publico um poema sobre a estoria de amor de Ninlil e Enlil.ok, ok é uma paixão avassaladora que levou o deus Enlil a cometer um ato hediondo em vista das leis sumérias: o estupro.Uma paixão que os levou LITERALMENTE aos infernos, e resultou no nascimento do Deus Nanna/Suen e no reinado de Ninlil nos submundos como Ereshkigal.
Espero que curtam!!



Era apenas uma cidade, apenas uma cidade,

Porém eles escolheram-na para assentar-se
Nippur era apenas uma cidade,
Porém eles escolheram-na para assentar-se
Durgishimmar era apenas uma cidade,
Porém eles escolheram-na para assentar-se.


Apenas Idsalla era seu rio puro,
apenas Kargeshtina seu cais de porto,
apenas Karusar seu cais de atracação,
apenas Pulal seu poço de água doce,
apenas Nunbirdu seu canal brilhante,
se medido, apenas cinqüenta sar cada eram suas terras aráveis.

Apenas Enlil era seu jovem,
apenas Ninlil era sua donzela,
apenas Ninbarshegunu era sua matrona.


Naqueles dias, a mãe que deu à luz avisou a garota.
Nunbarshegunu avisou Ninlil:
"Que você, Oh mulher, não vá se banhar no puro canal,
Que você, Oh Ninlil, não venha caminhando de volta das margens de Nunbirdu! Ele que  todo olhos brilhantes,
O Mestre, que é todo olhos brilhantes,
vai estar deitando os olhos sobre você,
a Grande Montanha, Pai Enlil, que é todo olhos brilhantes,
vai estar deitando os olhos sobre você,
o Pastor, Aquele que toma as decisões, que é todo olhos brilhantes,
vai estar deitando os olhos sobre você,
Em seguida aquele membro
virá florescendo,
ele estará lhe beijando e, feliz, deixará alegremente em você
o esperma glorioso preenchendo o útero."


À mãe que a avisou
Ela, em parte, deu ouvidos.
Naquele mesmo puro canal,
naquele mesmo puro canal,
a mulher veio e se banhou,
e Ninlil estava prestes a vir caminhando
de volta das margens de Nunbirdu.

Ele, que é todo olhos brilhantes,
O Mestre, que é todo olhos brilhantes,
deitou seus olhos sobre ela,
A Grande Montanha, Pai Enlil, que é todo olhos brilhantes,
deitou seus olhos sobre ela,
O Pastor, Aquele que toma as decisões, que é todo olhos brilhantes,
deitou seus olhos sobre ela:
"Deixe-me fazer amor com você!"
Ele estava dizendo a ela,
mas já não era mais capaz de fazê-la consentir.
"Deixe-me beijá-la!"
Enlil estava dizendo a ela,
mas ele não era mais capaz de fazê-la consentir.

"Minhas partes são pequenas,
não sei como alongá-las,
Meus lábios são pequenos,
não sei como beijar!
Se minha mãe soubesse disto,
ela daria tapas em minha mão,
Se meu pai soubesse disto,
ele me seguraria fortemente.
E eu não poderia, agora,
contar para minha melhor amiga,
Eu deveria ficar calada!"

Enlil disse ao seu pajem, Nusku:
"Nusku, meu pajem!"
"Sim, peça!"
"Grande confiança do Ekur!"
"Sim, meu mestre!"
"Com uma garota tão amável, tão bem formada,
Com Ninlil, tão amável, tão bem formada,
qualquer um fica com pressa em fazer amor,
qualquer um fica com pressa em beijar!"

O pajem trouxe ao seu mestre
algo semelhante a um barco
trouxe para ele algo semelhante ao cabo de amarração
de um pequeno barco
trouxe para ele algo semelhante a um grande barco.
"Meu mestre, desejoso,
deixou-me levá-lo flutuando no barco,
para que possa satisfazer a urgência em fazer aquele amor,
para que possa satisfazer a urgência em beijar aqueles lábios.
Pai Enlil, desejoso,
deixou-me levá-lo flutuando no barco,
para que possa satisfazer a urgência em fazer aquele amor,
para que possa satisfazer a urgência em beijar aqueles lábios!"

Enquanto ele estava abraçando-a
ele segurou suas mãos,
satisfez a urgência em fazer aquele amor;
satisfez a urgência em beijar aqueles lábios;
e ela, de sua parte,
estava fazendo deitar próximo à ele
o fundo e pequeno lugar húmido.

Ele satisfez a urgência de fazer aquele amor,
satisfez a urgência de beijar aqueles lábios,
e no seu primeiro ato de amor,
no seu primeiro beijo,
ele derramou no útero dela
o esperma, germen de Nanna/Suen (a Lua),
o brilhante viajante solitário divino! (Ash-im-babbar)

Enlil estava passando através de Kiur,
e, enquanto Enlil estava passando através de Kiur,
os cinqüenta grande deuses,
e os sete deuses que formulam as decisões,
estavam julgando Enlil em Kiur:
"O delinqüente sexual Enlil irá deixar a cidade!
O delinqüente sexual Nunamnir (Autoridade do Príncipe)
irá deixar a cidade!"
Enlil, obedecendo o que foi decidido sobre ele,
deixou a cidade.

Enlil estava caminhando,
Ninlil estava seguindo,
Nunamnir estava caminhando,
a garota estava perseguindo.
Enlil disse ao homem
responsável pelo portão da cidade:
"Homem do Portão da Cidade,
homem do trinco,
homem da tranca,
homem do santo trinco!
Sua Senhora Ninlil
estará vindo,
e perguntará a você sobre mim.
Não mostre a ela onde estou!"

Ninlil disse ao homem
responsável pelo portão da cidade:
"Homem do Portão da Cidade,
homem do trinco,
homem da tranca,
homem do santo trinco!
onde Enlil, seu mestre, foi?"

Enlil fez o homem do Portão da Cidade respondê-la:


"Meu mestre nunca dignou-se
a trocar amenidades comigo,
Enlil nunca dignou-se
a trocar amenidades comigo!"


Ninlil
"Tendo decidido em minha mente,
Eu fiz meus planos,
e estava dele enchendo
meu útero vazio,
Enlil, rei de todas as terras
fez amor comigo.
Assim como Enlil é seu mestre
também sou eu sua Senhora!"

Homem do Portão
"E você será minha Senhora
deixe minha mão tocar sua genitália!"

Ninlil
"Um esperma, seu futuro mestre,
um esperma lustroso, está em meu útero,
um esperma, germen de Suen (a Lua),
um esperma lustroso está em meu útero!"

Homem do Portão
"Que o esperma, meu futuro mestre,
vá em direção ao céu,
e que o meu esperma vá ao mundo inferior,
que meu esperma
ao invés do esperma, meu futuro mestre,
venha para o mundo inferior!"

Enlil, como homem do portão da cidade,
fez ela deitar-se no quarto deste,
fez amor com ela, beijou-a;
e em seu ato de amor,
em seu primeiro beijo,
ele derramou no útero dela
o esperma, germen de Nergal,
O enviado do Meslam!

Enlil estava caminhando,
Ninlil estava seguindo,
Nunamnir estava caminhando,
a garota estava perseguindo.
Enlil se aproximou do rio das montanhas,
o rio que nutre os homens,
e ao homem responsável
pelo rio das montanhas,
o rio que nutre os homens,
Enlil disse:
"Sua Senhora Ninlil
estará vindo
e perguntará a você sobre mim.
Não mostre a ela onde estou!"

Ninlil estava se aproximando
do rio das montanhas,
o rio que nutre os homens,
e ao homem responsável
pelo Rio das Montanhas,
o rio que nutre os homens,
Ninlil disse:
"Onde Enlil, seu mestre, foi?"

Enlil fez o homem responsável pelo rio das montanhas respondê-la:


"Meu mestre nunca dignou-se
A trocar amenidades comigo,
Enlil nunca dignou-se
a trocar amenidades comigo!"

Ninlil
"Tendo decidido em minha mente,
Eu fiz meus planos,
e estava dele enchendo
meu útero vazio,
Enlil, rei de todas as terras
fez amor comigo.
Assim como Enlil é seu mestre
também sou eu sua Senhora!"

Homem do rio
"E você será minha Senhora
deixe minha mão tocar sua genitália!"

Ninlil
"Um esperma, seu futuro mestre,
um esperma lustroso,
está em meu útero,
um esperma, germen de Suen (a Lua),
um esperma lustroso está em meu útero!"

Homem do rio
"Que o esperma, meu futuro mestre,
vá em direção ao céu,
e que o meu esperma vá ao mundo inferior,
que meu esperma
ao invés do esperma, meu futuro mestre,
venha para o mundo inferior!"

Enlil, como o homem do rio da montanha,
fez ela deitar-se no quarto deste,
fez amor com ela, beijou-a;
e em seu ato de amor,
em seu primeiro beijo,
ele derramou no útero
para ela o esperma, germen de Ninazu,
dono do templo solar de Egida!

Enlil estava caminhando,
Ninlil estava seguindo,
Nunamnir estava caminhando,
a garota estava perseguindo.
Enlil se aproximou de Silulim, o barqueiro.
Enlil disse:
"Sua Senhora Ninlil
estará vindo
e perguntará a você sobre mim
não mostre a ela onde estou!"

Ninlil se aproximou do barqueiro,
e disse a ele:
"Oh, barqueiro!
Onde Enlil, seu mestre, foi?"

Enlil fez o homem Silulim dar a resposta:

"Meu mestre nunca dignou-se
a trocar amenidades comigo,
Enlil nunca dignou-se
a trocar amenidades comigo!"

Ninlil
"Tendo decidido em minha mente,
Eu fiz meus planos,
e estava dele enchendo
meu útero vazio,
Enlil, rei de todas as terras
fez amor comigo.
Assim como Enlil é seu mestre
também sou eu sua Senhora!"

Silulim
"E você será minha Senhora
deixe minha mão tocar sua genitália!"

Ninlil
"Um esperma, seu futuro mestre,
um esperma lustroso,
está em meu útero,
um esperma, germen de Suen (a Lua),
um esperma lustroso está em meu útero!"

Silulim
"Que o esperma, meu futuro mestre,
vá em direção ao céu,
e que o meu esperma vá ao mundo inferior,
que meu esperma
ao invés do esperma, meu futuro mestre,
venha para o mundo inferior!"

Enlil, como Silulim,
fez ela deitar-se no quarto deste,
fez amor com ela, beijou-a;
e em seu ato de amor,
em seu primeiro beijo,
ele derramou no útero para ela
o esperma, germen de Enbilulu,
o administrador do rio!

Tu és Senhor!
Tu és Mestre!
Enlil, tu és Senhor! Tu és Mestre!
Nunamnir, tu és Senhor! Tu és Mestre!
Um senhor carregando grande peso,
Senhor do tesouro, (storehouse) És tu!
O senhor fazendo a cevada germinar,
O senhor fazendo as vinhas germinarem,
És tu!
Senhor do céu, Senhor gerando frutos,
E senhor do céu,
És tu!
Enlil sendo o senhor, Enlil sendo o mestre,
e na medida em que uma palavra do senhor
é uma coisa inalterável,
Sua palavra sagaz não pode ser mudada!

Louvor à Mãe Ninlil!
Pai Enlil, glória!
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Amor e devoção na Suméria...





Aproveitando o recente de clima de DIA DOS NAMORADOS estou eu aqui para postar um poema Sumério antigo.Trata-se de uma das obras de amor mais antigas que se tem noticia, e que fora preparada especialmente para a cerimônia de casamento sagrado.Provavelmente o poema foi recitado pela noiva eleita do rei Shu-Sin.

Segundo os costumes da religião suméria, era dever do soberano, desposar uma das sacerdotisas votivas de Inanna, a Deusa do amor, e de uma miríade de ofícios em virtude de manter o elo do Rei com a terra, e assim obter os favores dos Deuses que manteriam a terra Fértil e Próspera.Este rito era realizado no primeiro dia do ano novo, e era precedido de festas e banquetes, acompanhado de musicas, cantos e danças.




Noivo caro, ao meu coração,
Agradável é a tua beleza, doce e mel
Leão caro ao meu coração,
Agradável é a tua beleza, doce e mel.

Tu cativaste-me, deixa-me permanecer tremente perante ti,
Noivo, eu deixaria que me levasses para o quarto,
Tu cativaste-me, deixa-me permanecer tremente perante ti,
Leão, eu deixaria que me levasses para o quarto.

Noivo, Deixa que te acaricie,
A minha preciosa caricia é mais saborosa do que o mel,
No quarto, o meu corre,
Disfrutemos a tua agradável beleza,
Leão, deixa-me acariciar-te
A minha preciosa caricia é mais saborosa do que o mel.

Noivo, tu de mim tomaste o teu prazer
Diz á minha mãe, ela far-te-á gentilezas,
O meu pai, ele dar-te-á presentes.

O teu espírito, eu sei onde recrear o teu espírito,
Noivo, dorme na nossa casa até ao amanhecer,
O teu coração, eu sei onde alegrar o teu coração,
Leão, dorme na nossa casa até ao amanhecer.

Tu, por que me amas,
Dá-me o favor das tuas carícias,
Meu senhor deus, meu senhor protetor,
Meu Shu-Sin, que alegra o coração Enlil
Dá-me o favor das tuas carícias,

O teu lugar agradável como mel, por favor estende (a tua) mão sobre ele
Traz (a tua) mão sobre ele como um traje gishban,
Cola (a tua) mão sobre ele como um traje gishban-sikin,
É uma canção balbale de Inanna.
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Nidaba

Olá amigos, que visitam este Blog!
Espero que como sempre esteja tudo bem com vocês todos e que estejam com sede de um pouco mais de Suméria!

Como vocês sabem, apesar de ser uma alta-sacerdotisa, raramente eu divido experiências minhas aqui. Prefiro me ater á mitologia.Entretanto, desta vez, eu irei fazer uma breve excessão para falar desta divindade(creio que entenderão o por que ao longo destas linhas).

Estava Eu dormindo, numa comum manhã de domingo, extremamente preguiçosa, pois trabalho muito durante a semana e normalmente uso as manhãs dos meus dias livres para descansar.De repente ouvi uma mulher que chamava meu nome.Segurava um estilete nas mãos (vara com a qual os antigos sumérios e acádios escreviam nas tabuetas de argila), e olhando nos meus olhos, me disse seu nome: NIDABA.

Oras!Eu jamais ouvira falar nesta Deusa, mesmo pesquisando sobre Suméria dia e noite, mas encasquetei que ela era uma Deusa e uma Senhora Sumeriana...Logo fui em meus alfarrábios procurar, e como se fosse a coisa mais comum de se fazer, o livro que eu estava lendo naquela semana (The Trasures of Darkness) abriu na pagina que continha o poema que hoje dividirei com vocês.

Não sosseguei... revirei páginas e páginas e muito pouco se achou sobre ela. mas o que eu obtive isso eu divido convosco.Neste primeiro momento, postarei apenas o poema.mais tarde eu divido as demais informações (isto é, se vcs quiserem, laro)


Segue poema... Espero que curtam a mesma experiência renovadora que tomou conta de mim quando eu o li.Nidaba tocou-me profundamente.. espero que ela possa toca-los!


Homem pescando no pântano entre os Caniços, no Irã - foto retirada do livro Cradle of Civilization de autoria de Samuel N. Kramer



Nidaba, Reconstrutora das antigas moradas
Que reestabelece os antigos lugares de adoração
Que restaura as imagens caídas dos Deuses
A habilidosa governanta da casa de Anu"

Senhora, aquela em que se aproximando de algum lugar favorece a criação da vida

Nidaba, para quem as pessoas lavam suas cabeças e mãos,tú és honrada como se deve!
Aquela que firma suas mãos para que escreva bem as tabuetas do país
Que aconselhas onde o caniço-estilete é usado.

Tu és aquela que faz feliz o Coração deEnlil
Senhora, tu és a comida de Ekur ( templo de enlil)
Tús és a bebida  (do templo) de Eanna,
Tús és a alegria de Ekur, o Templo de Enlil
Para os grandes Deuses, tu és o sopro de vida de seu Pai

Grande Senhora, tu éstas firmemente estabelecida por Enlil,
Nidaba, tú és a cerveja - Assim como tú es o pão
Nidaba, tú és a firmadora das fundações do reino.


----------------------------------------------------------------------
Nidaba, onde tú não firmas as construções
os povos não se assentam, cidades não são edificadas
Lugar nenhum é erguido , e nenhum rei é elevado áo seu oficio,
A lavagem de mãos dos Deuses (antes das oferendas) não são executadas corretamente
Nidaba, Onde tú não estás perto, nenhum curral é erguido, nenhum aprisco é construido
E o pastor de ovelhas não acalanta o coração com seu cachimbo.
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Ninazu - O Senhor da cura

Olá amigos! Saudações...




Após um longo e tenebroso inverno sem escrever, estou de volta!!!Num mundo onde cada vez mais, fica difícil achar informações confiáveis (dadas as misturas de fontes históricas, com fontes “estóricas” por assim dizer), eu levo mais tempo pesquisando para poder oferecer-lhes informação de qualidade... então VAMOS AO QUE INTERESSA!!!




Hoje estou aqui para falar de um Deus no mínimo do que possa descrever interessante. Sim queridos, estou falando do deus Ninazu.

É, eu sei, pouco se fala sobre esse Deus, mas para mim ele tem um mito muito importante para o entendimento do panteão e um culto extremamente bonito.

Ninazu, é um Deus relacionado á Cura, á mágica, e também aos encantamentos.Literalmente se pode dizer que ele é um Deus Feiticeiro, e muito dessas atribuições tem a ver com seu nascimento. Ora, Ninazu é filho do grande Deus Enlil e da Deusa Ninlil (mito do qual falaremos dentro em breve) e nasce da união do Deus disfarçado em guardião do portal das águas devoradoras e sua mãe, que desce ao submundo por escolha própria, para que fique junto de seu amado, e reine com ele no mundo averno (sim meus caros, Ninlil é Ereshkigal quando jovem).

Assim sendo, nada mais simples que dizer que Ninazu é um Deus do mundo averno.Nascido da escolha pelo amor, da vontade de reinar no mais profundo da terra, do domínio de Ereshkigal e Gugalana sobre o reino dos mortos. É o guardião das águas da vida, cuja fonte está no submundo.

Ele é o Deus da cidade de Eshunna, cujos principais templos foram E-sikil e E-kurma.Pai do Deus Ningiszida. Seu nome quer dizer literalmente Senhor da cura.Inicialmente foi adorado como um deus da Saúde, e estava envolvido em rituais de purificação, e banimento de demônios que causassem doenças.entretanto no período da terceira dinastia de Ur, Ninazu estava mais relacionado ao Deus Lua, Nanna, ganhando então o epíteto de Deus da Magia.

Em alguns de seus Hinos ele é descrito como um guerreiro, o Campeão que destrói a cidade dos rebelados e malfeitores, ele é também chamado de “o Senhor da vara de medir” ou “aquele que demarca a linha do fim dos campos de plantio” epíteto relacionado á divisão de campos de plantio após a inundação dos rios Tigre e Eufrates (lembrando que são essas inundações sazonais que fertilizaram primordialmente as primeiras terras de arado do crescente fértil, isto é, antes das técnicas de irrigação serem dominadas pelo homem).Desta maneira ele também se torna um deus da agricultura epíteto bem explicito em um mito conhecido chamado Ninazu e Ninmadu, ou a criação do grão.

O mito conta que, na antiguidade, as pessoas comiam capim assim como as ovelhas, não conheciam grãos ou feijões. O Grande Deus Anu , e Enlil visitaram a terra primordial e Enlil separou o Kur –nu–gir (terra de onde não se pode retornar) da terra dos seres viventes.Assim Ninazu sugeriu ao seu irmão Ninmadu que trouxessem grãos para a terra da Suméria, e para tanto, pediram ajuda do Deus Sol – Sahamash/Utu.

O que mais me chama a atenção em Ninazu é o poder regenerador que emana do Deus.além disso, Como nascido das águas devoradoras, cujo o poder pode tragar a alma de um ser vivente, é também o guardião das água da vida, o nos mostra claramente o seu poder transmutador e também o poder de dar inicio, continuidade ou até mesmo fim á vida.

Enfim, espero que tenham gostado e espero que comentem o post e claro, sugiram outros!!!

Bjos, e até a próxima!
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Shamash - Todo o poder do Deus Sol


Hoje vamos falar de um Dos meus mais queridos, amados e admirados Deuses: Shamash!Vocês nem podem imaginar a alegria que sinto ao escrever sobre ele, que tem sido uma verdadeira luz pra minha vida!!!

Luz?? Claro!Shamash ou (mais anteriormente )Utu, é o deus Sol sumeriano. Seu nome significa simplesmente o “sol”. Ele representa a luz brilhante do sol, que retorna diariamente para iluminar a vida. É a força que aquece e faz com que as plantações cresçam;

Segundo a Mitologia Suméria, Shamash é filho de Nanna, o Deus Lua, e irmão de Inanna, a Vênus Sumeriana (Chamada na acádia de Ishtar). Juntos eles representavam a tríade Celeste (Sol, lua e estrela).


Embora houvessem templos dedicados ao Deus espalhados por todo o país (como Ur, Mari, e Ninive), os principais centros de adoração á Shamash eram Larsa ( atual Senkerah) e Sippar (cidade de Abu Habba), sendo este ultimo o mais famoso.Em ambos lugares era um dos mais proeminentes Deuses para o qual se dedicavam culto, onde se mantiam templos chamados de E-barra (ou E-babbara) “a casa brilhante” uma alusão direta ao brilho do sol.


O Deus sol, que acompanha a vida do homem, tudo vê pois está acima, nos céus, iluminando á terra. Da sua luz nada pode se esconder. Utu para os Sumérios era a personificação da luz que bane a escuridão e o mal.

Os hinos sumérios exaltavam-no dizendo que o Deus Sol levantava-se todas os dias da “montanha do leste, percorrendo o caminho até a montanha do oeste.Protegia a terra onde moravam os vivos, tendo no poema de Gilgamesh invocado os sete heróis do tempo para a defender. Os dons ligados á Utu são comumente clareza de pensamentos, o dom de oracular, e a arte de ser “brilhante em tudo o que se faz”




Em alguns mitos, Shamash é traduzido como o Deus da justiça tanto entre os deuses quanto entre os homens, é comum acharem-se referências do Deus “libertando os atormentados pelos demônios”, julgando as causas humanas até no submundo, pra onde se dirige assim que o deus Lua toma conta dos Céus juntamente com a escuridão,decidindo o destino dos mortos (a quantidade de dias que passariam sob o domínio de Ereshkigal no lugar cujas portas eram guardadas por homens-escorpião) .



Em alguns dos mais bonitos Hinos sumérios em honra ao Deus, o homem sumério apelava á Shamash como o Deus para quem se deve pedir para ajudar aqueles que estão sofrendo injustamente. Shamash instituiu as leis, sendo o juiz supremo. Alguns reis e legisladores como é o caso do rei Ur-Engur da dinastia de Ur, endossavam as suas leis como sendo aprovadas pelo Deus , e declarava após as suas deliberações legais “de acordo com as leis justas de Shamash” . Até mesmo Hammurabi atribuiu a inspiração do código legal que escreveu a este Deus, tal como aparece na imagem da adoração de Hammurabi a Samash que acompanha o Código.


Iirmão Gêmeo de Inanna, o Grande Deus Sol é também um Deus do trabalho!Vemos evidências disso quando na criação do Dilmun, paraíso sumério, ele é o responsável pela irrigação da terra, para que enfim o Dilmun possa ser um lugar frutífero, exatamente como um Oásis divino no meio do Deserto (bem parecido com o Eden da Bíblia, vc não acha?).


Aliás é bem curioso dizer que, o Deus sol, a própria personificação do calor do deserto fosse também um Deus da Irrigação, não é?


Uma outra referência a Shamash, mas dessa vez como o Senhor dos caminhos, aparece no épico de Gilgamesh, quando este e Enkidu, o selvagem, em virtude de estarem de encontro á Humbaba, faziam á cada manhã uma libação, no sentido do nascer do Sol, para pedir ao Deuses que os levassem por caminhos seguros.

A consorte de shamash era conhecida como Aya(também conhecida como Sherida), entretanto, é mencionada raramente em inscrições, não havendo textos sobre esta Deusa, exceto em combinação com Shamash..



Iconografia:



Usualmente representava-se com uma serra, que simbolizava a justiça incontornável que era exercida por ele, e com raios solares que partiam dos ombros.







Curiosidades sobe a Evolução do mito:

Alguns estudiosos acham que inicialmente o Deus sol era uma divindade secundária, provavelmente subordinada á lua dado ao fato que os povos Ugaríticos (predecessores dos Sumérios) eram nômades e usavam a lua, e as estrelas para se orientar.Entretanto com o Advento da civilização e por conseguinte da agricultura,o sol ganhou mais importância, passando a ser um dos principais Deuses do panteão.

Havia uma infinidade de Deuses solares na suméria, como é o caso de Nergal, chamado muitas vezes de “o sol do meio-dia” por seu personalidade caótica, e destruidora, embora este Deus nada tem haver com Shamash, que era o Sol, por si só, visto de forma Geral.Há ainda relatos de Deuses solares secundários que auxiliavam o Grande Deus sol em suas tarefas, tais como Bunene (que dirigia o carro do Deus), Mesahru, atgi-makh e Kettu (a Justiça).
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Curiosidades: Os sumérios e a Arca de ... Utnapishtim !!!


Créditos da foto para http://www.umsabadoqualquer.com.br/



Aproveitando o frio e a chuva dos ultimos dias no Rio de janeiro, aí estou eu com mais um dos meus trocadilhos hitorico/mitológicos!!

Para quem achava que a ideia do salvamento de um diluvio através de uma arca estava originada na versão judaíca, cehgou a hora de mudar de idéia.Chamem seus amigos, parentes e irmãos de Coven, por que mais um dos grandes mistérios da Bíblia acaba de ser desvelado.

Sim meus caros!!Um dos primeiros relatos de diluvio aconteceu na Suméria. A epopéia de Gilgamesh conta a versão Sumerio-Acadiana do mito do dilúvio, na décima primeira tabueta.

Utnapishtim, também conhecido como Zi-u-sudra  o rei de Shuruppak (atual cidade do Iraque de Tell Fa'rah), foi o escolhido para ser o "salvador da pátria" Sumeriano.O filho de Ubara-Tutu, era também sacerdote do Deus Enki. Seu nome pode ser traduzido como "Aquele que viu vida".

Nos textos sumérios ele aparece sendo qualificado pelo Deus Enki como homem Honesto, de conduta reta. Ou seja, Um homem de valores, e por tanto digno do "favor" do Deus.




Estatua de Utnapishtim



 As razões que levaram á decisão da Assembléia dos Deuses á destruir a humanidade são desconhecidas, visto que, o trecho das tabuetas fora perdido.
Segundo o mito, O Deus Enki teria ordenado ao rei que construisse uma grande embarcação, e assim salvasse a propria vida e a "semente da humanidade".

Revelar-te-ei, Gilgamesh,

Um triste mistério dos Deuses;
Como se reuniram um dia.
Para decidir submergir a terra de Shurupak.
Enki dos olhos claros, sem nada dizer a Anu, seu pai,
Nem ao Senhor, o grande Enlil.
Nem àquele que esparge a felicidade, Nemuru,
Nem mesmo ao príncipe do mundo subterrâneo, Enua.
Chamou para perto de si seu filho Ubaretut.
E disse-lhe:"Filho, constrói um barco com tuas mãos,
Toma contigo teus próximos,
E os quadrúpedes e as aves de tua escolha,
Pois os Deuses decidiram irrevogavelmente
Submergir a terra de Shurupak"

Depois que durante 7 dias [e] 7 noites,
O diluvio se estendeu sobre a Terra
[E] o grande barco foi sacudido pelos vendavais
                                 [Sobre as grandes aguas,
Utu [o Deus Sol] apareceu, espalhando luz
                                 [Sobre o céu e a Terra...


O texto é novamente interrompido, após este episódio encontramos Utnapishtim diante dos Deuses Anu e enki, os quais agrandando-se dele concederam-no "vida como de um Deus e sopro Eterno, e permitiram-lhe viver no Dilmun (paraíso sumeriano)



 


Monte Aruru


é interessante salientar que há vestígios arqueológicos de uma grande enchente na região por volta de 2750 a.C. Vestigios de uma embarcação foram encontrados no Monte Aruru, no Iraque.

Enfim gente.. nós do crescente fértil não matamos as cobras mas mostramos o pau, quer dizer, a madeira da qual se fez a arca... agora pra saber o tamanho, só pedindo pros sumerios antigos ensinarem-nos a contar com quantos paus se fazem uma canoa, ou neste caso, seria correto dizer jangada??! rsrrs


Até a proxima!
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curiosidades: O Deus Bel...SEMITA!!!



Se você é pagão, certamente está se perguntando...Bel??no crescente fértil???Tá louca Shinnar??
Não,não estou e você não está lendo errado!é isso mesmo!Belllllll Semita...
hehehehehe
antes que alguém tenha um ataque cardíaco, eu explico:

Isso é mais uma daquelas coisas que acontecem quando um povo domina o outro, ou quando há aglutinação/apropriação do culto de uma divindade.Esse tipo de influência é comum entre povos que sofrem dominação ou estão intimamente ligados quer por relações de comércio, quer por imigração;Assim sendo nos mesmos moldes de Grécia x Roma, os Deuses sumerio-babilonicos-acadianos também tem adequações dos cultos dos povos predecessores.

quando nos Referimos á Bel, no crescente fértil, estamos falando de Enlil, o senhor vento, o grande Deus cuja vontade é lei. Nessa "adequação", por assim dizer, enlil adotou o nome de Bel, que nos dialetos semitas significa SENHOR.

Enlil foi adorado na suméria, e seu principal local de culto era Nipur, uma grande cidade-estado. Os reis de Lagash (outra cidade-estado sumeriana) o chamavam de "Rei dos Deuses", possuindo ainda, dentre esses os epítetos de sábio e ajuizado..


Mas isso, é só um pouco sobre Enlil.... quer saber mais??? CENAS DO PROXIMO CAPÍTULO!!!







PS: Se hoje quisessemos refazer uma roda do Ano Sumerio-babilônica, um festival ao deus BEL, ou á ENLIL seria fundamental, pois ele é um dos Grandes Deuses, um dos 7 mais proeminentes Anunnaki.O que acham??? Os ventos de Bel???srsrsrs... Isso só o tempo, (e minhas pesquisas) vão me responder.












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Um bate papo sobre Mesopotâmia: entendendo mitos e Deuses


Por Daphne Shinar

Então vamos falar de Mesopotâmia....

A Suméria, é a primeira grande civilização instituída da qual o homem têm notícias. Acredita-se que, no 7 milenio antes de Cristo, alguns dos povos nomades do crescente fértil, tenham "fixado acampamento" na região limítrofe dos rios Tigre e eufrates, onde hoje é a região do Irã e Iraque.


De modo geral, a Suméria era dividida em uma dúzia de cidades-estado, que, incialmente tinham como poder princiapal o poder religioso, sendo o Rei, apenas um proeminente cidadão que, face á uma guerra ou desastre natural, tomava as rédeas da administração pública. entretanto, a partir do 3 milenio antes de cristo, ou mais precisamente com o advento da segunda dinastia de Ur, passou-se a exercer uma espécie de reinado monárquico que, na mesopotâmia durou até o século 7 A.C. Vale relembrar que, tanto o panteão, quanto a forma de reinado, a divisão em cidades-estado e os costumes dos povos mesopotâmicos tiveram grande influência da civilização Suméria.

A sociedade era dividida em castas, e o sacerdócio também era institucionalizado, e por tanto também hierárquico.Contudo, é interessante dizer que para os sumérios a Casta não era uma obrigação, como acontece para os hindús.Os sumerianos poderiam mudar de casta, dependendo de seu esforço, ou até mesmo do matrimônio (não muito diferente da sociedade atual.).

A escola era poderia era normalmente frequentada por meninos, mas há registros de escribas femininas (como é o caso de Enheduanna, filha de Sargão) . Nela, desde pequenos, aprendiam-se os oficios com os quais, uma vez maturados, passariam a sustentar a si e suas familias.Contudo a maior parte daqueles que tinham acesso á educação, eram filhos de escribas, chefes de estado, governadores, reis e ainda de funcionários do Templo.Eram comuns escolas de artesãos, astronomos, escribas, dentre outros, e os alunos poderiam ser punidos com a vara de correção caso as tarefas não fossem satisfatoriamente executadas.



Entender os Deuses Sumerianos, como colocam os livros é uma tarefa árdua. Principalmente por que há uma variedade (quase incontável) de Deuses, semi-deuses, demônios e criaturas híbridas cujas origens variam muito e cujo o culto não é concentrado, dado o fato de que cada Cidade Estado era "apadrinhada" por um Deus em específico, além de haverem Deuses "familiares" ao qual se reportavam clãs e familias em particular, e dada a importancia dos chamados Deuses pessoais.

Contudo ouso dizer que, se vc quer entender o panteão e cultura de determinado povo, experiemente entender como sua sociedade funcionava e quais eram as maiores necessidades desse povo.Uma vez que isto esteja claro, todo o resto, inclusive os Deuses e seu comportamento, estará!Assim sendo, vamos pensar um pouquinho juntos????

O primeiro ponto que gostaria de sugerir é a orientação: digamos que você está no meio do deserto e precisa saber como voltar pra sua tenda, seu clã. No deserto quase não existem árvores, sinalização ou pontos nos quais se referenciar.Assim sendo, eu pergunto, Como você faria para se orientar, em que direção ir para voltar pra casa?As dunas mudam facilmente de forma e tamanho, a areia é leve e facilmente tem seu relevo modificado pelo vento. Não existem muitos mananciais, muito menos edificações.você está cansado e perdido, com fome e provavélmente com muita sede.então, já desesperado você olha para o céu e.... vê os Deuses! sim, a primeira referência para aqueles povos era a celeste, facil se achar com constelações que estão lá desde tempos imemoriais, facil entender para onde ir, se vc consegue observar o Deus Sol, como se move e o Deus Lua como nasce. Assim começamos a entender a importancia da tríade Celeste: Inanna (vênus), Utu/Shamash, o sol e Nanna, o grande deus Lua.


O sol naquele lugar, seca a terra que, por natureza é seca.Os sumerianos trabalham dia e noite, para que a terra possa dar fruto, estudando e construindo meios de irrigação para que o plantio possa ser feito, a falta de agua demanda trabalho e esforços. As construções sumérias eram todas voltadas para o norte para que a luz do sol pudesse iluminar a casa, sem entretando entrar, incidindo sobretudo nas laterais, aliviando o calor... alguem que fuja tanto do calor, não pode imaginar punição maior que um "inferno" cujo formato remete á seca e a fome do deserto, e cujo o grande julgador seja o próprio sol. Desta forma entendemos que Utu/Shamash, uma vez que se ponha, desce ao submundo para fazer justiça contra aquels que atentam contra o direito e a propriedade.ele é o juiz de mão de ferro, que junto com a avó Ereshkigal ensina as lições para aqueles que foram julgados como transgressores.

Entretanto o submundo pertencente á Ereshkigal não é um lugar á ser temido. Trata-se do grandioso e rico palácio da grande rainha.O lugar é ricamente decorado em ouro e lápis lázuli, onde toda a riqueza da terra se faz, e onde as leis são sempre arbitradas pela propria rainha.neste lugar nenhum Deus ou Rei pode arbitrar.Os humanos continuam seus aprendizados para uma nova vida que se seguirá ao tempo que seu julgamento exigiu.e uma vez contado o tempo em que se foi ordenado á estar lá, o cidadão retorna ao mundo superior em uma nova vida, onde novos desafios o aguardam. Neti, vizir de Ereshkigal junto á sua esposa, são os responsáveis pela contagem do tempo que passamos no mundo averno.

Quando,a lua é mascarada pela terra (lua nova) quem manda no céu é a estrela. A venus (Inanna) convoca aos Deuses para que decretem a justiça, teçam as teias do Destino e tripudiem sobre o traidor.Eram comuns encenações de batalhas sangrentas, para homenagear aquela que iria junto aos homens vencer todas as suas batalhas.As familias limpavam a casa, expurgando maus augúrios e lances de má sorte.Os oráculos eram evocados, e os Sacerdotes liam a sorte. Todos ficavam muito limpos e arrumados aguardando o momento em que a grande rainha dos céus e da terra apareceria brilhante no céu. Subiam nos telhados, fazendo seus pedidos e pedindo justiça, agradecendo a grande Inanna pelas conquistas de outrora. Ao fim da noite as familias se reuniam em volta da mesa, homenageando os Deuses, brindando com eles, e ceando juntos para comemorar a fertilidade da terra e as vitorias conquistadas.

Uma dos principais culturas dos campos sumerianos era a Cevada. Não precisa ser adivinho para entender que, desta forma, um dos maiores bens manufaturados seria a cerveja!Logo para refrescar a alma e Acalmar o coração, eis que surge:Nikasi, responsavel pela arte da cervejaria e pela cura dos males do coração e da alma:o descanso, a embriaguez e a alegria.

Viram como foi fácil?Se seguirmos esta linha de pensamento tudo o mais torna-se fácil, e poderemos compreender os grandes mistérios antigos.

Agora é a sua vez... alguem tem mais algum artigo, ou ponto de vista á sugerir???
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